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Nossa História começa lá atrás, na fome da Etiópia em 1985.

  • 1985 - FOME NA ETIÓPIA CHAMA A ATENÇÃO DE MARCIANO.

  • 1989 - PRIMEIRA VISITA Á ETIÓPIA. 

  • 1997 - A FAMÍLIA TEIXEIRA CHEGA Á ETIÓPIA.

  • 2000 - A OPERAÇÃO RESGATE É FUNDADA NA ETIÓPIA.

  • 2004 - A OPERAÇÃO RESGATE É FUNDADA NA SUIÇA.

  • 2005 - A FAMILIA TEIXEIRA SE MUDA PARA O BRASIL.

  • 2007 - A OPERAÇÃO RESGATE É FUNDADA NO BRASIL.

  • 2011 - A FAMILIA TEIXEIRA SE MUDA PARA SUIÇA.

  • 2015 - OPERAÇÃO RESGATE É FUNDADA NA INDIA.

  • 2019 - A OPERAÇÃO RESGATE É FUNDADA EM MOÇAMBIQUE.

  • 2025 - A FAMILIA TEIXEIRA PASSA O BASTÃO E DEIXA DE TRABALHAR NA OPERAÇÃO RESGATE.

  • 2025 - SAMARITANOS EM AÇÃO É FUNDADA.

Meu Chamado para a Etiópia

Quando jovem no Brasil, certa vez assisti a um documentário sobre a devastadora fome na Etiópia de 1984. As imagens de pobreza inimaginável me levaram às lágrimas. Eu mesmo havia crescido na pobreza rural, mas o que vi naquela tela era avassalador.

Naquele tempo, eu era um novo convertido. Entre lágrimas, perguntei a Deus: “Por que ninguém está ajudando essas pessoas?” A resposta veio claramente ao meu coração: “Por que você não faz algo?” Protestei que era pobre e não tinha recursos, mas Ele me lembrou de compartilhar o que eu tinha. A partir daquele momento, Deus plantou em mim um profundo amor pelo povo da Etiópia.

 

Nos anos seguintes, busquei treinamento missionário. Em 1989 fiz minha primeira viagem à Etiópia, um país oprimido pelo regime comunista, onde a pobreza e a falta de esperança estavam por toda parte. Ao orar pelo povo, Deus me deu uma palavra: “viúvas e órfãos”. Mais tarde, concluí um curso de Desenvolvimento Comunitário, casei-me com Christina e, em julho de 1997, nos mudamos juntos para a Etiópia.

 

Naquele tempo, nosso filho mais velho tinha apenas 18 meses, e Christina estava grávida do segundo. Começamos uma escola de idiomas em Addis Abeba para aprender amárico e, quando nosso filho mais novo tinha três meses, nos mudamos para o norte, para Mekelle — a região para a qual eu sempre senti chamado. Comecei a trabalhar em um alojamento para 120 meninos administrado pela Igreja Mekane Yesus, sob a autoridade da Missão Suíça.

 

Durante dois anos servi ali, até que a guerra com a Eritreia estourou. Tanques tomaram as ruas, trabalhadores estrangeiros foram embora e o perigo nos cercava. Um dia Mekelle foi bombardeada três vezes, matando 53 crianças em uma escola próxima. Amigos e embaixadas nos aconselharam a sair, e eventualmente partimos — deixando a cidade sob toque de recolher, no meio da noite. Christina e as crianças ficaram em Addis Abeba, mas em poucos dias voltei sozinho para Mekelle. Eu sentia o chamado de Deus para permanecer.

 

Outros São Chamados a se Juntar a Nós

Os meninos do alojamento respeitaram meu retorno, mas ficou claro que o trabalho ali não estava produzindo muito fruto. Enquanto isso, crianças famintas começaram a aparecer na janela da nossa cozinha. Mahari foi o primeiro. Nós o lavamos, alimentamos e o vestimos com roupas dos nossos meninos. Logo outros vieram. Esse foi o início do que se tornaria a Operação Resgate.

 

Getachew, um jovem da nossa igreja, nos ajudava como tradutor e logo expressou o desejo de participar do trabalho. Mesmo sem salário, disse que viveria pela fé. Após oração, entendemos que

Deus realmente o chamava. Em seguida, outros se juntaram — Kahasu da igreja e Hiwot, que nos ajudava em casa. Juntos formamos uma equipe.

O Nascimento da Operação Resgate

Fomos a Addis Abeba solicitar o registro governamental. Foi um tempo de desafios e burocracia, mas Deus nos encorajou em cada etapa. Durante uma reunião de oração, alguém disse: “Que este casal seja um resgate para as crianças da Etiópia.” Essa oração nos deu o nome: Operação Resgate.

 

A igreja suíça nos deu um apoio de 30.000 francos suíços, e apresentamos o projeto ao Departamento de Assuntos Sociais. As autoridades pressionaram para que entregássemos o dinheiro a eles, e um deles chegou a ameaçar me expulsar da Etiópia em 24 horas. Com coragem, Getachew e eu permanecemos firmes. No final, a autorização foi concedida — e sei que jamais teríamos conseguido sem sua determinação.

 

Desde o início, queríamos um projeto comunitário — não um orfanato. Visitávamos famílias, recebíamos crianças meio período em um pequeno espaço alugado e ajudávamos suas famílias. Mais tarde, quando o apoio ao alojamento foi cortado, acolhemos 20 das crianças órfãs mais novas em tempo integral.

Um Lar para a Operação Resgate

Alugamos um local perto do Hotel Africa, onde 80 crianças vinham diariamente para alimentação, educação e atividades. A equipe cresceu: Getachew, Kahasu e Hiwot, depois Abadi (irmão de Getachew), a cozinheira Belatu, Gebre Meskal para visitas às famílias e outros. Com o tempo, 80 crianças se tornaram 200.

 

Ao apresentar um projeto ao governo, incluímos no último parágrafo um pedido de terreno. Eles aprovaram, e meses depois lembramos esse acordo. Após uma longa busca, paramos em um terreno lamacento de 14.917 m² — quase exatamente os 15.000 que havíamos pedido. Sabíamos que Deus havia escolhido aquele lugar. Após seis meses de burocracia, o terreno era nosso.

 

Passando o Bastão

Em 2004, sentimos que era hora de deixar a Etiópia. Getachew estava pronto para liderar, e após oração e consulta à missão, entregamos a ele a Operação Resgate. Nossa partida foi cheia de lágrimas, como um pai entregando a filha em casamento, confiando seu futuro a outro. Sabíamos que era plano de Deus.

Logo depois, por provisão divina, uma mulher nos Estados Unidos enviou recursos para construir o novo centro. Passo a passo, Deus supriu tudo.

 

A Operação Resgate no Brasil

Depois de um ano na Suíça, nos mudamos para o Brasil, para uma região muito pobre no nordeste. Mais uma vez, não tínhamos recursos, mas Deus providenciou. Com o tempo, outro projeto da Operação Resgate nasceu. Hoje, cerca de 150 crianças são cuidadas, e esperamos alcançar 300. Nosso sonho é ver a Operação Resgate multiplicada em outros continentes.

Minha Reflexão

No coração da Samaritanos em Ação está a parábola do Bom Samaritano. Somos chamados a amar como Jesus amou. Lembro-me de uma mãe dizendo: “O projeto alimentou nossos filhos, os lavou e os levou à escola. Se isso não é o verdadeiro cristianismo, o que é?” A sala explodiu em aplausos.

 

Fazemos este trabalho porque amamos Jesus e queremos que crianças e famílias conheçam Seu amor. Tratamos cada criança como indivíduo, apoiando-as dentro de suas famílias sempre que possível, e apenas como último recurso as acolhemos em lares familiares. Também oferecemos cuidado para crianças com HIV/AIDS, jovens cegos e meninos sem familiares.

 

Vemos a Samaritanos em Ação como uma extensão da igreja — um testemunho vivo do Evangelho em ação. Sementes foram plantadas, e me alegro com o que Deus fez. Se Ele me der força e saúde, minha oração é ver ainda muito mais realizado através dos centros da Operação Resgate, da Samaritanos em Ação e de todos os outros atores que trabalham no mundo para levar o amor de Deus às famílias vulneráveis ao redor do planeta.

Marciano Teixeira

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